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Novo diário de bordo: Abertura

Mais importante que falar sobre destinos, durações ou histórias–pelo menos na minha nova opinião sobre as coisas–é explicar motivos. E o meu maior motivo para ter um novo diário de bordo, quatro anos depois da minha última viagem, é um só: eu sou uma pessoa fechada, mas com pensamentos demais para guardar dentro de mim. E na verdade, seria quase impossível para alguém como eu conseguir dividir tudo o que eu tenho se a escrita não me fosse uma opção.

Concordo com a Clarice nesse ponto. Eu, fechada como sou, quando não escrevo, não faço ruído algum. Não existo, não berro, não procuro ninguém.

“Eu acho que, quando não escrevo estou morta”, ela disse. No meu caso, é estar morta para o mundo, para todo o resto. Como a árvore que não é vista, mas que continua com seus pensamentos por toda parte, correndo por raízes escondidas embaixo da terra, dessas que se espalham por centenas de quilômetros.

Então–um novo diário de bordo, para uma nova viagem.

Minha última grande viagem…

Não, espere.

Minha última viagem ao exterior (e talvez um dia eu fale sobre o que eu acho sobre “grandes” viagens) foi em 2015, quando eu precisava colocar a cabeça e o coração em ordem depois de anos tentando me encontrar no mercado de trabalho. Eu tinha uma série de dúvidas e angústias que revisito até hoje quando me pergunto se estou percorrendo o caminho certo–ao que minha intuição e minha mãe me dizem que sim. Eu tinha 23 anos, era praticamente recém-formada e tinha mais perguntas do que respostas, não só sobre a minha sociedade e minha vida, mas também sobre mim.

Dessa vez, com quase 28 (afinal, eu faço aniversário em exatos 16 dias) eu me sinto só um pouquinho mais madura, um pouquinho mais certa do meu caminho e de quem eu sou. O que não mudou foi a minha curiosidade e minha vontade de conhecer mais. O que mudou foi que agora eu estou pronta para dividir isso de verdade.

(Minhas perguntas, aliás, só se multiplicaram.)

De um jeito ou de outro, eu espero conseguir explorar, escrever e entender mais sobre tudo nesse novo diário. Espero que dividindo tudo por aqui, meus conhecidos, amigos distantes e próximos e até meus familiares (e, claro, todos aqueles que têm algum interesse pela Atlântida em mim) possam me perdoar por eu não ser uma pessoa mais aberta e falante que já viveu na face da terra. Espero que esse diário, que escancara uma grande parte de mim, possa estancar um pouco da minha mania sanguinária de desaparecer de vez em quando.

E espero que eu aprenda a não me afogar tanto em mim, também.

2020 vai ser um ano de aprendizados e acontecimentos únicos, disso eu tenho absoluta certeza. A combinação do misticismo do mago e do equilíbrio do mundo é o que me sussurra isso sem parar, então…

Feliz ano novo!

Obs: Essa foto é do rio Guadiana, Espanha, onde eu fui pescar com um grupo de pessoas incríveis. Essa é só uma das muitas histórias que eu pretendo contar nas próximas semanas. Você vem, né?

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About my characters and heritage, and the fires in Brazil

If you’ve read the latest chapters of my superhero book, you already met the mysterious “friend” my main character, Roberto, tries to hide. Rob is a druid, from an old tribe of native Brazilians from Amazon and, as you’ll discover today, he has someone close to him. This someone’s name is “Anhangá” and he was based on one of the most terrifying and yet beautiful tales in Brazilian folklore.

For my indigenous ancestors, Anhangá (like Curupira, another of Brazilian’s folklore character) is a protector of the Amazon Forest and he’d do anything to defend it, including to kill those who disrespected it. The tale of Anhangá, like most folklore and mythology stories around the globe, was created to:

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On what makes writing so emotionally draining.

Yesterday I finished writing the 24th chapter of my new book, “A Bear in sheep’s clothing” (a.k.a. BISCA). It’s a book about superheroes, supervillains, the dangers one continent is under, and, mainly, the value of thinking for yourself.

When I typed the last period of the chapter I turned my iPad off (for I was writing in bed), put it aside, and went to sleep. Since I’m posting my first draft on Wattpad, today I added a cute image, my author’s note, and finally published the chapter.

It’s not only about what you create or how you create it but also about the intense feelings you develop for them.

Now, I make a point of never re-reading my chapters right after posting because I always notice things that can be improved and this slows down the writing process… but for some reason, today I simply couldn’t resist. And, girl… what a ride.

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Você se lembra, Salo?

Um conto de Ligia Nunes

Imagine um fundo preto—e então um corpo genérico e torcido em poses de modelo à sua frente.

“Adorei essa pose, Mônica.” Clique, clique, clique. “Vira um pouco pra direita. Abaixa o queixo.”

Bem vindo à minha vida.

As minhas caras caixas de som tocam uma música ambiente e brega enquanto um cheiro suave de produto de limpeza sobe do assoalho de madeira. Imagine luzes fortes e quentes (todas muito brancas) vindas do teto e de flashes dedicados. Isso, aqueles mini-holofotes com “guarda-chuvas” atrás. Do lado de fora, posso ouvir o caos da Avenida Ipiranga com a Rua Araújo e do lado de dentro, ouço risadas e comentários de pais e mães super-protetores.

“‘Cê tá linda, filhinha. Tenta levantar mais o queixo… isso, assim mesmo!”

Também aqui dentro, esses pais e mães super-protores querem fazer o meu trabalho por mim.

“Você não acha que a iluminação tá muito forte, Salo? Será que não consegue diminuir um pouco o nariz dela? Aumentar o busto?”

Mas eu sou um fotógrafo, não a porcaria de um cirurgião.

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Rambling: last month, I lost a friend.

And it wasn’t just any friend. It was a friend I thought I’d carry for life, through this hard, filled-of-sorrow moment I’m passing through to the pink-colored, lime-and-lilies-scented moments that are waiting for me. It was a friend who co-wrote a book with me… a book which will never be published, even though it’s completed, edited and ready, with cover and half-finished marketing material.

But I didn’t lose this friend for sickness or for death. I lost her for life. Life took her from me–or, rather, life gave her the choice to walk away. She just did.

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