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About our situation right now and my attempt to help

I’m seeing way too many horrors happening in and outside my country. There is something wrong, on a basic human and moral level, with people who treat other people as if they’re less than human because of ANY REASON.

I’m saying this because of what happened with Marielle Franco, a black Brazilian woman, politician and feminist who was murdered in 2018 and whose murder was never solved. I’m saying this because of João Pedro, the 14-yo black CHILD who was murdered FOUR DAYS AGO in his own living room in Rio de Janeiro, shot by the police. And I’m saying this because of George Floyd, a black man murdered in broad daylight in Minnesota, also by the police.

I’m saying this because humorists in Brazil think it’s okay to say shit about disabled people.
I’m saying this because the beauty industry has been pushing people into absurd beauty standards.
I’m saying this because I’m ALWAYS in a constant state of fear something bad will happen to me or my queer friends.
I’m saying this because there are STILL young girls who are forced into arranged marriages.
I’m saying this because kids are STILL handed uzis and thrown into wars.

And I’m saying this because the French Revolution in 1789 brought for the first time the notion that says, under the feminist writing of Olympe de Gouges:

“The purpose of any political association is the conservation of the natural and imprescriptible rights of woman and man; these rights are liberty, property, security, and ESPECIALLY resistance to oppression.”

The political associations we have today, more than TWO HUNDRED years later, are DEFINITELY not giving a shit about that.

We need to resist these oppressions. As writers, we need to speak up about our views and beliefs. As readers, we need to support and spread the word. As humans, we MUST come together and we must SEE, understand, and try our best to be empathic about each other’s pain.

I’m Ligia Nunes and I’m fucking angry.
Still, I have hope…

Djamila Ribeiro, a black, Brazilian masters in Political philosophy, writer, and reporter, taught me that to be a true ally, you have to help those who are suffering in silence by supporting their voices and listening to them. She defends that black people should be the ones explaining their pain, that women should be the ones explaining their problems, and that’s what I’d LOVE to see you doing.

If you already have or if you feel like writing your own story about racism, prejudice, misogyny, etc, please do it, then send me the link. I’ll do my best to read them all and spread the word.

Bessos,

Ligia

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Família – Histórias Curtas, II

Histórias Curtas – episódio 2

Fantasia, steampunk,

Já fazia três meses que estávamos em Opala, a maior cidade industrial de todos os reinos. Saídos de Malaquita, a principal área agronômica de todo o continente, era difícil para mim e para meus pais nos acostumarmos com toda a fumaça no horizonte vermelho da cidade — uma imagem enferrujada e suja de óleo de pistão, como todo o resto desse maldito lugar. 

Infelizmente para mim, este também era o novo centro comercial de Cinco Cidades. Era aqui que meu pai, pioneiro na utilização de máquinas a vapor na agricultura, deveria estar. Deixamos para trás três dos meus irmãos mais velhos e duas irmãs — somos uma família bem grande — e trouxemos conosco somente esse pitoquinho de gente, que agora está esparramado no tapete em frente à lareira. 

“Você vem, Ângela?”, mamãe perguntou. 

Ergui os olhos e meus ombros saltaram quando eu encarei uma versão muito detalhada dos olhos castanhos de Mamãe. Tirei meu supernóculos e o pousei no colo, junto com meu ponto-cruz. Mamãe, muito mais do que qualquer um de nós, parecia sentir falta do que tivemos que deixar para trás.

“Pensei que fôssemos descansar hoje. É domingo, esqueceu?” Esfreguei os olhos com os dedos, até eles se acostumarem com minha visão normal outra vez.

Mamãe ergueu uma sobrancelha e puxou seu xale, ajeitando-o em volta dos ombros. Ao invés de seguir a última moda em Opala, com suas muitas tiras de couro, cartolas e óculos de aviador, mamãe preferia as boas couraças que usávamos em Malaquita, mesmo que seu visual interiorano destoasse por completo do que um morador da cidade grande deveria usar.

“Não me lembro de ter feito acordo nenhum”, ela disse.

Suspirei, rolando os olhos. 

“Escute, mamãe. Domingo passado foi cansativo o suficiente. Você sabe o quanto eu adoro fazer caminhadas e ficar ao ar livre, pisando em poças de água, deixando meus cabelos com cheiro de fuligem e sujando minhas botas nas muitas poças de lama e nojeira que—”

“Você está sendo irônica…”

“É claro que sim!”

“…Com a sua mãe?”, completou em tom pergunta, estreitando os olhos. 

Apertei os lábios, encarando-a em silêncio. Só a Deusa sabe em quantas enrascadas eu já me meti por culpa da minha língua afiada. Pigarreei e tentei lhe oferecer uma risadinha constrangida. 

“Ora, mamãe, mas é claro que… veja bem, considerando o tempo e a posição da lua no céu… e também a umidade do ar, o cheiro de terra molhada e a textura do vapor na janela…”

“Ângela!”

“Mamãe?”

Ela não respondeu. Mamãe franziu as sobrancelhas e caminhou a passos leves até o hall de entrada. Ela apanhou alguma coisa ao lado do aparador. Abriu portinhas, puxou capas, fechou fivelas. Quando voltou à minha frente, Mamãe tinha um desafio nos olhos, um escudo nas costas e uma espada longa presa na cintura.

“Vou perguntar outra vez, Ângela. Você vem?” Completando suas palavras, me entregou meu arco e aljava. 

Bufei, deixando as costas baterem contra o encosto da poltrona. Coloquei meu ponto-cruz com cuidado no braço da poltrona e me levantei devagar, sentindo os ossos das costas estalarem. 

“Nós duas precisamos do exercício, querida. Além disso, Opala tem duas vezes o número de criminais que Malaquita tinha… quem você acha que vai fazer alguma coisa para impedi-los?”

Fiz uma careta, grunhindo enquanto passava o arco por um braço, prendendo-o nas costas.

Nós vamos, aparentemente.”

“Isso.” Com um sorriso largo, Mamãe me deu um beliscão orgulhoso na bochecha e se virou para a porta de entrada, saindo por ela sem esperar. “Agora vamos. Li no jornal da manhã que alguns membros da adaga oculta atacaram outra joalheria na noite passada e que saíram sem levar nada — exceto um pequeno colar de cobre com o símbolo de Tau engravado.” Ela estreitou os olhos e se virou em minha direção sem conter a animação em sua voz. “Você sabe o que isso significa, Ângela?”

“Ugh.” Esfreguei o rosto com ambas as mãos. “Ah não. Outro necromante não!”

Mamãe soltou uma risadinha e se inclinou para soprar um beijo para minha irmã mais nova. Depois, ela saiu pela porta de entrada, repetindo — de novo e de novo — as regras de segurança em uma luta contra mortos-vivos. 

Suspirei e corri para o fora sem conseguir conter um sorriso. 

“Lembra do último necromante que enfrentamos?”, perguntei com uma risadinha. 

“Como poderia esquecer? Seu irmão ficou com cheiro de vômito de zumbi por semanas!”

Rimos juntas, andando lado a lado pelas ruas estreitas.

Já fazia três meses que estávamos em Opala, a maior cidade industrial de todos os reinos. Mamãe, mais do que todos nós, sentia falta do que tínhamos e de nossas rotinas em Malaquita… mas nossa família ainda estava unida, ainda que não fisicamente. 

E isso era tudo o que importava.

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Novo diário de bordo: Abertura

Mais importante que falar sobre destinos, durações ou histórias–pelo menos na minha nova opinião sobre as coisas–é explicar motivos. E o meu maior motivo para ter um novo diário de bordo, quatro anos depois da minha última viagem, é um só: eu sou uma pessoa fechada, mas com pensamentos demais para guardar dentro de mim. E na verdade, seria quase impossível para alguém como eu conseguir dividir tudo o que eu tenho se a escrita não me fosse uma opção.

Concordo com a Clarice nesse ponto. Eu, fechada como sou, quando não escrevo, não faço ruído algum. Não existo, não berro, não procuro ninguém.

“Eu acho que, quando não escrevo estou morta”, ela disse. No meu caso, é estar morta para o mundo, para todo o resto. Como a árvore que não é vista, mas que continua com seus pensamentos por toda parte, correndo por raízes escondidas embaixo da terra, dessas que se espalham por centenas de quilômetros.

Então–um novo diário de bordo, para uma nova viagem.

Minha última grande viagem…

Não, espere.

Minha última viagem ao exterior (e talvez um dia eu fale sobre o que eu acho sobre “grandes” viagens) foi em 2015, quando eu precisava colocar a cabeça e o coração em ordem depois de anos tentando me encontrar no mercado de trabalho. Eu tinha uma série de dúvidas e angústias que revisito até hoje quando me pergunto se estou percorrendo o caminho certo–ao que minha intuição e minha mãe me dizem que sim. Eu tinha 23 anos, era praticamente recém-formada e tinha mais perguntas do que respostas, não só sobre a minha sociedade e minha vida, mas também sobre mim.

Dessa vez, com quase 28 (afinal, eu faço aniversário em exatos 16 dias) eu me sinto só um pouquinho mais madura, um pouquinho mais certa do meu caminho e de quem eu sou. O que não mudou foi a minha curiosidade e minha vontade de conhecer mais. O que mudou foi que agora eu estou pronta para dividir isso de verdade.

(Minhas perguntas, aliás, só se multiplicaram.)

De um jeito ou de outro, eu espero conseguir explorar, escrever e entender mais sobre tudo nesse novo diário. Espero que dividindo tudo por aqui, meus conhecidos, amigos distantes e próximos e até meus familiares (e, claro, todos aqueles que têm algum interesse pela Atlântida em mim) possam me perdoar por eu não ser uma pessoa mais aberta e falante que já viveu na face da terra. Espero que esse diário, que escancara uma grande parte de mim, possa estancar um pouco da minha mania sanguinária de desaparecer de vez em quando.

E espero que eu aprenda a não me afogar tanto em mim, também.

2020 vai ser um ano de aprendizados e acontecimentos únicos, disso eu tenho absoluta certeza. A combinação do misticismo do mago e do equilíbrio do mundo é o que me sussurra isso sem parar, então…

Feliz ano novo!

Obs: Essa foto é do rio Guadiana, Espanha, onde eu fui pescar com um grupo de pessoas incríveis. Essa é só uma das muitas histórias que eu pretendo contar nas próximas semanas. Você vem, né?

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About my characters and heritage, and the fires in Brazil

If you’ve read the latest chapters of my superhero book, you already met the mysterious “friend” my main character, Roberto, tries to hide. Rob is a druid, from an old tribe of native Brazilians from Amazon and, as you’ll discover today, he has someone close to him. This someone’s name is “Anhangá” and he was based on one of the most terrifying and yet beautiful tales in Brazilian folklore.

For my indigenous ancestors, Anhangá (like Curupira, another of Brazilian’s folklore character) is a protector of the Amazon Forest and he’d do anything to defend it, including to kill those who disrespected it. The tale of Anhangá, like most folklore and mythology stories around the globe, was created to:

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On what makes writing so emotionally draining.

Yesterday I finished writing the 24th chapter of my new book, “A Bear in sheep’s clothing” (a.k.a. BISCA). It’s a book about superheroes, supervillains, the dangers one continent is under, and, mainly, the value of thinking for yourself.

When I typed the last period of the chapter I turned my iPad off (for I was writing in bed), put it aside, and went to sleep. Since I’m posting my first draft on Wattpad, today I added a cute image, my author’s note, and finally published the chapter.

It’s not only about what you create or how you create it but also about the intense feelings you develop for them.

Now, I make a point of never re-reading my chapters right after posting because I always notice things that can be improved and this slows down the writing process… but for some reason, today I simply couldn’t resist. And, girl… what a ride.

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Você se lembra, Salo?

Um conto de Ligia Nunes

Imagine um fundo preto—e então um corpo genérico e torcido em poses de modelo à sua frente.

“Adorei essa pose, Mônica.” Clique, clique, clique. “Vira um pouco pra direita. Abaixa o queixo.”

Bem vindo à minha vida.

As minhas caras caixas de som tocam uma música ambiente e brega enquanto um cheiro suave de produto de limpeza sobe do assoalho de madeira. Imagine luzes fortes e quentes (todas muito brancas) vindas do teto e de flashes dedicados. Isso, aqueles mini-holofotes com “guarda-chuvas” atrás. Do lado de fora, posso ouvir o caos da Avenida Ipiranga com a Rua Araújo e do lado de dentro, ouço risadas e comentários de pais e mães super-protetores.

“‘Cê tá linda, filhinha. Tenta levantar mais o queixo… isso, assim mesmo!”

Também aqui dentro, esses pais e mães super-protores querem fazer o meu trabalho por mim.

“Você não acha que a iluminação tá muito forte, Salo? Será que não consegue diminuir um pouco o nariz dela? Aumentar o busto?”

Mas eu sou um fotógrafo, não a porcaria de um cirurgião.

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Rambling: last month, I lost a friend.

And it wasn’t just any friend. It was a friend I thought I’d carry for life, through this hard, filled-of-sorrow moment I’m passing through to the pink-colored, lime-and-lilies-scented moments that are waiting for me. It was a friend who co-wrote a book with me… a book which will never be published, even though it’s completed, edited and ready, with cover and half-finished marketing material.

But I didn’t lose this friend for sickness or for death. I lost her for life. Life took her from me–or, rather, life gave her the choice to walk away. She just did.

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Sobre o que fazer antes de pensar em Política

Eu não tenho pretenção nenhuma de mudar o mundo com post em blog–mas acho importante lembrar o que a arte faz pelas pessoas.

Então será essa uma mensagem para todos os brasileiros:

Se a agonia for muita, se a vontade de seguir pelo caminho mais fácil for forte, se você, assim como as pessoas à sua volta, estiver com vontade de se entregar às ofertas de violência e, principalmente, se essa violência tentar se aliar à sua frustração política, se vista de arte.

Ouça Queen, Jaloo, Alice Caymmi. Assista Devilman, jogue Life is Strange, veja clipes, veja filmes, leia livros, vá ao teatro. Deixe que as experiências de artistas, deixe que sua obra te alcance. Quebre a casca. Se deixe encantar, se sensibilizar, chore, se permita ver a beleza que existe na diversidade de cores e gostos e belezas e sabores.

Por que, às vezes, aprender com a história não é o suficiente. Às vezes, cercados de ignorância ou preguiça, o sofrimento de amantes libertos não te alcança. Às vezes, cercados de direitos, não vemos as injustiças feitas aos outros.

Às vezes, você não tem fome. De igualdade.

Ou compaixão.

E às vezes, o medo doma a razão humana.

Não se deixe ser domado. Na hora de tomar uma decisão, não se cerque de violência nem de medo nem de frustração; se cerque de arte. Lembre-se, antes de mais nada, que nosso país está cheio de GENTE, não títulos, UF ou números.

Somos todos merecedores da mesma felicidade–e somos todos responsáveis pelo bem-estar da nossa Nação. E dos nossos vizinhos, também.

Na imagem, a pintura “A ilha da Morte” de Arnold Böcklin, que inspirou o próprio Rachmanioff. A arte toca, inspira, modifica. E ensina, também.

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Inaugurando: Histórias Curtas.

Alguns Segundos

Toca a campainha em casa. Vou atender; é o carteiro, com uma encomenda pra minha irmã. Embalagem dessas de correio, o pacote plástico e branco e com cheiro de borracha.

Eu tiro uma foto, envio pra ela.

Minha irmã Letícia, N9 anos, onde N é igual a um número qualquer que realmente não faz diferença (‘age is but a number’). Namorando há uns 10 ou mais; não quer ter filhos, apenas bichos. Já teve cobras, lagartos, galinhas, peixes raros. Hoje, tem uns 10 bichos em casa, entre gatos e cachorros, além de um macaco que só come frutas caras.

Ela recebe a mensagem, lê, diz “Abre aí.” Eu leio: “Abre, aí tem uma surpresa.”

Pensei que fosse pra mim. Eu abro.

Dentro, roupas de bebê. Não eram pra mim.

“The PORRA tá acontecendo aqui?” pergunto, mais pra mim que pra ela. Pra ela, envio apenas “???”

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About writing in another language—and how it helped to improve my Native one.

I travelled to the UK in 2015 to study Project Management and to get my IELTS score, what should help me course Business and Administration the following year. I had a great plan, a great (although tight) schedule, just the right amount of money, the right energy, the positive thinking and the confidence of a 23-yo whose loving family was always supportive of her realistic goals.

I. Had. Everything.

But the will to continue.

 

(Sigh) I guess life is full of surprises!

There, in a small city near the British coast, among castles, beautiful vistas, sceneries, mashed potatoes and an enthralling history, I felt I would never complete that Business and Administration Course; I knew I would go back home (broke, after spending all my money) and write. And write. Then write.

I knew I would become a writer.

And I did! I was still in England when I started my first novel, “‘My Sharona’ your ass!”

—and ignoring also they have completely different structures and grammar rules and slang words and idiomatic expressions and etc—when writing in another language, you have also to consider your readers, your characters, the place they live in and, mainly, their language.

But… My English, at the time, even though I’ve been studying it for ages, was not in its best shape, considering how little and how dully I used it. Who needs Creative Writing techniques to write a contract or manage a project, anyway? Continue reading “About writing in another language—and how it helped to improve my Native one.”

… And a Happy New Year *singing

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My dad asked me once ‘are you ready to give up being a writer?’ And this turned out to be one of the best advice I’ve ever received.

I have 3 siblings: a sister and two brothers, all of them are older than me. There’s a 12, 9 and 7 years gap between each of them and me, so I was basically raised with only one of them, the 3rd on the ‘line’… Still, I have a great relationship with all my siblings and my whole life I’ve heard stories about them growing up, which made me feel even more connected to them — almost as if I was there all along!

At some point in 2015, when I decided I wanted to become a writer, my dad told me a little story about one of my brothers:

Years ago, my brother was some sort of athletic star in ascension in Brazil. He was accustomed to winning every competition he ever competed in and, from day one, he showed this fantastic talent in High Jump, what impressed one of the best High Jump trainers in São Paulo. He had everything: support, will, drive, passion and talent, a true talent!

Until he hurt his knee.

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